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Alice No Inferno: Presente by ~SuibroM:iconSuibroM:



No quarto do hospital o silêncio imperava, apenas quebrado pelo sinal sonoro do monitor cardíaco de Alice. Quem olhasse para Ruben neste momento poderia pensar que ele estaria a descansar em sono profundo. Mas não é o caso. Ele simplesmente não está lá. Se estivesse, provavelmente acordaria com o som contínuo que dava conta da perda dos sinais vitais de Alice.

A escuridão era irreal. Ele sabia que era um sonho mas os seus sonhos sempre o fizeram sentir-los como uma face diferente da realidade. Ruben não sentia nada, mas os seus sentidos não estavam nem adormecidos nem anulados. Apenas não havia nada para sentir. Embora esteja a caminhar, ele não o sente. “Como posso eu sentir e não ser e ser e não sentir simultaneamente?” Pensava, claramente, lucidamente, mas não conseguia sentir. Subitamente pára e sente pela primeira vez desde que mergulhou naquela escuridão. Sente-a. Alice está próxima, tão próxima como nos sonhos que ele tinha, tão próxima como em todas as lembranças que tem dela. E os sentidos voltam em catadupa. Sente-se a afundar ligeiramente num chão mole, sente um cheiro nauseabundo a excrementos e fezes. A escuridão mesmo presente não impede que veja que tudo o que rodeia, até onde a sua vista consegue alcançar, é imenso o lamaçal. O cheiro é tão real e intenso que tem vários espasmos de vómito, optando por tirar a camisola e atá-la de forma a tapar a boca e o nariz. Concentra-se em Alice e começa a escavar com as mãos, incansavelmente por vários longos minutos que parecem dias, até que toca numa mão que começa a puxar imediatamente, mas com cautela. Assim que a cabeça de Alice sai debaixo de toda aquela sujidade que a cobria, tosse e vomita, demorando um bom bocado até se recompor. Ela olha para cima e vê os olhos de Ruben que lhe ficaram gravados na memória. Parece que ele lhe está a dizer algo mas Alice não consegue ouvir nada. Ela diz-lhe isso, mas não ouve também a sua própria voz, nem a tosse que continua a ter pelo gosto amargo na garganta. Ruben coloca-se de joelhos e tira a camisola da cara. Olha-a bem nos olhos e diz que tenha calma, mas também ele não ouve a sua voz. Há tanta coisa que Alice lhe queria dizer, tanta coisa que ficou esquecida e não devia ter ficado. Ela começa a falar sem parar mas nenhum som quebra o silêncio, aumentando o seu desespero ao ponto de as lágrimas começarem a cair. Depois de tanto tempo separados, ambos se convenceram que já não tinham nada a dizer um ao outro. Neste momento em que não se fazem ouvir descobrem que ainda há muita coisa que querem partilhar.
“Desculpa ter fugido” pensa ela.
“Desculpa ter-te pressionado” pensa ele.
Tentam ler os lábios um do outro, mas quando o tentam fazer deixam de conseguir ver o que está á frente, deixando Alice completamente destroçada após várias tentativas. Ruben abraça-a e tenta transmitir alguma calma mas ela está inconsolável. Muito calmamente, ele pega na mão dela e coloca-a no seu peito. Por momentos, parece que está a tocar o ar mas depois sente finalmente a sua pele e começa a ouvir a batida forte do seu coração. Tudo o que se ouve por muito tempo é aquele som, quente, que agora é seu. Um som que ela julgava ter perdido para sempre, sem o qual julgava poder viver. Ela entende o que ele lhe quis dizer e as lágrimas, não de tristeza, caiem-lhe face abaixo enquanto acena que sim com a cabeça. E Ruben, desaparece lentamente e consigo aquela batida que lhe trouxe a esperança de volta mas ela não se vai esquecer daquele som nunca mais. A calma contagia-a por completo e ela fecha os olhos.
Toda a sujidade desaparece.
À frente dela aparece novamente aquela figura que aprendeu a odiar e temer simultaneamente. Antes que consiga esboçar alguma reacção, está rodeada de milhares iguais. Mas eles não fazem nada, apenas estão lá, parados, como se fossem bonecos. Alice empurra um e criando um efeito dominó, todos vão caindo e desaparecendo pelo chão.
- O passado morreu. – diz ela confiante. A escuridão é invadida por um foco de luz que vem de uma porta distante que se abriu, para  o qual ela se dirige. Já bastante perto, uma pequena figura surge, obstruindo a luz.
- Ainda não acabámos.
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:iconsuibrom:

Author's Comments

E acabei agora mesmo de escrever a última parte. Penso que seria material para duas histórias porque ficou enoooooooooooorme. Mas como é melhor despachar isto de uma vez por todas, a próxima será a ultima

Parte 7/8 (Tenho mesmo quase absolutamente a certeza)

Agradecimentos a

Comments


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:icona-boneca:
oh, só falta uma!... que curiosidade!:giggle:

beijinho grande*

--
I have promises to keep and miles to go before I sleep.
:iconsuibrom:
:D

Tá em correcções, espero por em breve por aqui.

Obrigado lindaaaaaaaaa

Beijinho gaaaaaaaande*

--
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:icona-boneca:
de nada ^^*

--
I have promises to keep and miles to go before I sleep.
:iconcrazybia:
:faint:
tens de postar a ultima parte imediatamente!
Tou curiosa

:heart: :love:*
:iconsuibrom:
Tá em correcçõeeeeeeeeeees :D

:heart::love:Obrigado lindaaaaaaaa

--
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:icondevastationsoul:
Demais mesmo : )!
Cada vez mais interessante!

Abraço

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December 26, 2006
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